Cultura Espiritual

Deus em nossa companhia

Insatisfeitos na percepção das coisas sempre de forma dual e oposta, ou seja, o bem em relação ao mal, a saúde em relação à doença, o vício em relação à virtude, a vida em relação à morte, Deus em relação a nós, nada mais legítimo do que a procura de uma maneira de superar estas oposições, passando a vê-las em perspectiva de mútua dependência, como realidades em mútua implicação.

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A trindade vivida em mim

No correr da vida, posso sentir a presença constante de três coisas preponderantes que estão sempre querendo me dominar: um desejo ilimitado de poder; o risco constante de fracassar, compensado por uma esperança tênue de vencer. Estes são os sentimentos de qualquer ser humano natural, que insiste em permanecer só e abandonado, sofrendo grandes frustrações. Contudo, o apoio da fé será muito eficaz para superá-los, bastando que relacionemos aqueles sentimentos de domínio com a força providencial do Pai, nossos sofrimentos e fraquezas com o sentimento amoroso do Filho e nossos consolos e esperanças com a ação inspiradora do Espírito.

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A trindade no ser

Nossa observação da realidade percebe diferentes estados de ser, que por certo guardam uma estreita relação de interdependência e correlação. Se aparentemente essas dimensões nos parecem estanques e contraditórias, é porque nos tem faltado uma visão mais profunda e abrangente de como a realidade contém em si mesma a sua própria justificação, a conciliação de tudo sob a perspectiva de momentos transcendentes.

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Seres humanos, espíritos em ação

A convivência humana em sociedade está de tal forma desvirtuada e agressiva que só uma revolução na maneira de considerarmos nossos semelhantes poderá de novo humanizá-la. Dessa forma, uma cruzada coletiva de conscientização poderia ainda minimizar muitos dos atuais pecados coletivos que afetam nossa civilização, o que não dispensa desde já a nossa própria transformação na maneira de convivermos com nossos semelhantes.

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Os mistérios da trindade

Falamos em mistérios que cercam a Trindade, pela prevalência que exercem sobre ela o um e o dois. O Um, por ser o princípio de tudo, o poder infinito da criação, expresso na figura de Deus Pai Todo-Poderoso. Ele é a origem de todos os seres; já o Dois expressa o dualismo dominante em nossa realidade física ou mental, na qual corpo e alma, causa e efeito, vida ou morte, saúde ou doença, sim e não, tecem a trama de nossa vida inquieta. O Dois deflui do Um como resultado tempestuoso ao surgir toda a variedade dos seres criados. O Dois está configurado na pessoa de Cristo, o Filho destinado a recompor as mazelas da criação.

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Valor moral dos sentimentos

A aprovação recente pelo Congresso Nacional do encurtamento dos prazos para se efetivar o divórcio representa um verdadeiro tiro no pé na ideia do valor moral de nossos sentimentos. Isto porque, com a nova lei, cai por terra qualquer chance de uma reflexão mais madura acerca de nossos impulsos afetivos, muitas vezes dominados por arroubos momentâneos de decisões impensadas.

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Semiologia do conhecimento de Deus

Quando se trata de conhecer Deus, nosso vício permanente consiste em pensá-LO exclusivamente como objeto, um OUTRO que se opõe a mim como autoridade e juiz. Esta é uma opinião histórica que se encontra presente desde tempos imemoriais, resultante do hábito que temos de separar entre sujeito (que conhece) e objeto (que é conhecido), acrescida pelos preconceitos históricos de um masculinismo autoritário.

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Por que não sou agnóstico

A palavra agnóstico diz respeito a nossa capacidade de conhecer (gnose), a convicção da impossibilidade de atingir o que seja a verdade ou a consistência final das coisas. Esta é uma atitude que tem sido muito comum entre filósofos e cientistas que concluem pela incapacidade, a partir da ciência, de alcançar qualquer razão transcendente. Trata-se, pois, de uma forma extremada de ceticismo.

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