Cultura Espiritual

Relação do pensamento com as coisas

O problema das relações do pensamento com as coisas começa a ser desvendado por meio de DESCARTES com a expressão: "Penso, logo existo". Não obstante, ainda estamos no nível da linguagem, o que não nos garante a existência no mundo exterior. Como observou KANT, a participação no mundo existente exige uma consideração que se situa num nível ontológico, que por sua vez se encontra numa esfera que não conseguimos alcançar, por nos encontrarmos presos apenas à nossa subjetividade. Ao contrário, ocorre que esta é a dimensão ontológica tomada pelo filósofo francês, que se colocava ausente de uma perspectiva crítica (sic).

Renê Descartes

Dessa forma, para alcançarmos o mundo do ser necessitamos obter uma perspectiva quântica, que nos permitiria mudar de dimensão, e assim atingirmos o mundo da realidade existencial. Trata-aqui, portanto, de um salto mágico, através do qual se torna possível sairmos da prisão de nossos sentidos e assim convivermos no mundo dos objetos.

Ora, isto só se torna possível pela capacidade de nosso cérebro, que possui mecanismos neurofisiológicos suficientes para a percepção do mundo exterior, que nos permitem assim nos tornarmos reais em nossa existência prática. Sua capacidade é genial, sem a qual habitaríamos o mundo como robots ou animais mecânicos, sem interioridade.

Dessa forma, a caracterização de nosso pensamento como coisa se situa numa dimensão etérea, virtual, só possível por meio de uma transcendência, tão comum em nossa realidade existencial, que não se situa apenas em relações paralelas, mas sim que estão conexas num mundo virtual, por meio de nossa espiritualidade.

É ela que nos permite atingir dimensões não naturais, por meio de nossa criatividade, racionalidade, sentimento e liberdade, nos colocando num patamar de existência exclusivo em nossa natureza, habitando um mundo que se coloca acima da naturalidade subjetiva.

Pois que somos criados à semelhança de nosso Criador, que nos dotou de tamanho privilégio, a quem nos cabe agradecer diuturnamente e compreender que nos encontramos em débito pela nossa condição de partícipes de uma capacidade criadora. Dessa forma, somos seres que superam todos os seus limites, cujas fronteiras são infinitas, não encontrando obstáculos em nossos limites existenciais.