Os malogros da modernidade

A humanidade ainda não soube avaliar os malefícios que a modernidade acarretou para a cultura em geral. A partir do século XVIII, foi o cientificismo imperante que causou os graves efeitos na cultura tradicional, acreditando que o império da razão, por si só, seria suficiente para transformar o Universo num mundo da paz e felicidade. Em acréscimo, pensadores libertos da metafísica tradicional, como DAVID HUME, EMMANUEL KANT, FRIEDICH NIETSCHE, JEAN PAUL SARTRE e MARTIN HEIDEGGER, entre outros, se tornaram os protagonistas de uma decadência conceitual que abalou séculos da filosofia clássica.

Ledo engano! Seus resultados foram o que MAX SCHELER chamou o desencanto do mundo, pela perda inexorável ao causar o relativismo de todos os processos não racionais de descoberta da verdade e passaram a considerar irrelevantes no processo de conhecimento não racionais como a intuição, os arquétipos simbólicos de sustentação da verdade como a crença, a semiótica e a holística, as  comunicações telepáticas.

O resultado disso foi o surgimento de um século XX ausente de paz, com duas grandes guerras que mataram quase cem milhões de pessoas. Não obstante, para superar isso, a partir dos anos sessenta, criou-se o pós-modernismo, de liberdade e romantismo sem amor,  embalado pelo rock de sexo livre, destruição da família e misticismo sem Deus.

É como se o manto do demônio estivesse a cobrir toda a humanidade com sua sombra, destruindo a cultura antiga de uma forma radical, com o ser humano como protagonista de todas as perversões. Embalados pelas promessas do tecnicismo material, os intelectuais previram o fim da História, como se todo o passado fosse desprezível. E a terceira guerra já se encontra nos horizontes.

Não obstante, como a força do Espírito é transcendente, novas descobertas científicas descortinaram o universo das micropartículas, dentro do qual surgiu o mundo dos quanta, orientado por um caos deliberado e incompreensível por nossa razão, tornando a humanidade dócil às suas dimensões não racionais.

Em acréscimo, com os avanços nas pesquisas astronômicas, o ser humano foi conduzido a reconhecer a sua humildade diante da magnitude do Universo, no qual a sua presença transparece insignificante, levando-o a curvar-se diante de uma Providência necessária para justificar as oscilações de um mundo precário em sua consistência.