Manifestações quânticas da alma

A física quântica é um ramo da física clássica que procura estabelecer as relações existentes entre a energia e a matéria em níveis microscópicos. A intuição do físico alemão MAX PLANCK percebeu que estas relações não se dão de forma contínua, mas sim por saltos descontínuos, que ele denominou quantum, dos quais surgiu a chamada mecânica quântica. Como consequência, todo o Universo passou a ser considerado como fenômeno quântico, por suas características de periódicas transformações repentinas.

Eu não sou o meu cérebro

A alma, semelhante a luz, possui uma natureza quântica por se encontrar submersa em manifestações descontínuas que por sua vez se situam além de nossas reações orgânicas.  Situada fora do espaço e do tempo, a alma, em forma de espírito, realiza percepções de forma direta e imediata, como intuições espontâneas ou conscientes.

Semelhante às transformações que ocorrem no mundo microcósmico, a alma altera a sua natureza por meio de saltos de compreensão que são imediatos, fazendo surgir reações psíquicas de diferentes matizes, ora como onda, ora como partícula, o que a faz alternante em sua substância. Daí,  as dificuldades na forma de apreendê-la.

Dessa maneira, seja como ondas oscilantes ou ímpetos de ação moral (         maldades e bondades), seja concretizando valores ou alterando nossas disposições psíquicas, de stress ou calmaria, a alma pode também nos aparecer em sua substancialidade particular como o perfil que delineia nosso corpo, como pensava PLATÃO.

Como saltos repentinos, tais alterações se colocam como estando fora da organicidade de nossos sentidos externos, realizando o aparecimento de reações instáveis, indeterminadas, como aquelas próprias do mundo quântico.

Sob prisma transcendente, a alma, localizada em nosso coração,  sempre foi tida como sobrenatural, dada sua consistência peculiar diante das forças materiais, o que implica a nossa responsabilidade quanto ao seu aperfeiçoamento noumênico, impedindo que ela se perca nos desvarios de nossas loucuras, tão próprias do ser humano. Dessa forma, perder a alma é condenar-se ao desterro dos sofrimentos, tão próximos de nossas limitações. Como nos assegura o Evangelho (Mt 10,28), perca todos os seus membros, mas evite perder a sua alma, o que nos reservaria habitar os suplícios do inferno. Assim, nem pensar.