Imanência (física) e transcendência (metafísica) são dois paradigmas que aparentam ser antagônicos, mas não são, por serem complementares em suas performances. São dois caminhos necessários a inteireza de nossa compreensão da realidade em sua dinâmica. Enquanto a imanência surge a partir da causação ascendente, de baixo para cima, o paradigma transcendente surge a partir da causação descendente, de cima para baixo.
O motivo de tal distinção resulta da capacidade de nossa inteligência em seus processos operativos, com sua capacidade peculiar de se afastar de seus limites sensíveis, alcançando as fronteiras do abstrato, que reside apenas em nossas ideias, produtos de nossa espiritualidade.
No que respeita à causação ascendente, nos chama a atenção, em primeiro lugar, a transformação das micro partículas em objetos sensíveis à nossa visão, os objetos macros, familiares à nossa convivência. Trata-se aqui de uma transformação quântica, só explicável pelo salto descontínuo das emissões energéticas. Outro caso notável é a transformação dos seres vivos unicelulares em moléculas e em seguida em seres vivos complexos, com diferentes órgãos, sempre obedientes à sua origem genética.
Na continuidade, o aparecimento, em nosso cérebro, de um pensamento aparentemente autônomo em suas origens, desdobrando-se em conceitos abstratos, independentes do tempo e das distâncias, capacitando a raça humana na ultrapassagem de seus limites orgânicos, isto é, naturais Trata-se, aqui, da eclosão de uma capacidade, já presente, in nuce, desde o surgimento da criação em suas dimensões micro-atômicas, nas quais, os átomos manifestam comunicações à distância.
Ora, é esta espiritualidade que permite ao ser humano alcançar o paradigma transcendente, ao a eclosão de uma escala descendente, do mais para menos, relativa à indagação sobre as origens de onde tudo possa ter surgido. Neste caso, as hipóteses variam desde uma criação ex nihilo, a partir do nada, ou o pensar de que o Universo não teve princípio, tendo existido sempre, apenas se transformando. De qualquer forma, isto não dispensa a exigência de que deve existir uma Providência que dirige a sua evolução, o que seria mais compatível com nossas exigências racionais. Dessa forma, imanência e transcendência se complementam, sem as quais qualquer visão da realidade criada restaria incompleta.